______Versão on-line do zine Canibal Vegetariano______

Somos loucos apaixonados por rock, buscando sempre divulgá-lo de forma independente, sem jabá e amarras.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O punk que vem da terra do descobrimento

Divulgação
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles desembarcaram onde atualmente conhecemos como o estado da Bahia. E a chamada terra de todos os santos é conhecida também como berço do axé music, mas sempre tem aquelas pessoas que subvertem a ordem estabelecida. Dois roqueiros muito famosos saíram de lá, Raul Seixas e Marcelo Nova, mas os punks também têm seus representantes, Pastel de Miolos. Para conhecer mais sobre esta banda, conversamos com seus integrantes.

Canibal Vegetariano: Para começarmos, apresentem a banda, nomes, instrumentos e houve alguma troca de formação desde o início?
Pastel de Miolos: Guitarra e voz: Alisson PDM, baixo e voz: André PDM e bateria: Wilson PDM. Nós tocamos durante 17 anos com Alex Costa no baixo e voz, e por dois anos (2000/2002) com Robson Peixoto na 2ª guitarra, mas em momentos diferentes eles saíram e são todos bons amigos da banda.

CV: O nome da banda é sensacional, de onde surgiu essa ideia?
PM: Fizemos uma lista de nomes diferentes, mas o que mais nos agradou foi Pastel De Miolos, primeiro pela sonoridade, depois fomos descobrindo os vários sentidos que ele pode ter (a música que leva o nome da banda dá uma “deixa”).

CV: Quais as bandas que os influenciaram e quais vocês mais ouvem atualmente?
PM: Sempre ouvimos muito HC/Punk, Cólera, Olho Seco, Social Distortion, Dead Kennedys, Ramones, Inocentes e continuamos ouvindo e nos influenciando. Mas depois de 19 anos fomos descobrindo outros sons e batidas. Eu hoje escuto também algumas coisas mais alternativas como Pixies e Dinosaur Jr. Enquanto os caras escutam coisas de ska (Madness, Skatallites, etc.) ou metal (Nuclear Assault, Sepultura, etc.). Por aí vai, acho que é sempre interessante conhecer sons novos e bandas novas, ou velhas que nem sempre se tem oportunidade de escutar.

CV: De Lauro de Freitas para o mundo. Como é ter uma banda punk em um estado no qual a maioria pensa que existe apenas um estilo musical que é o axé music?
PM: Na agricultura existe o conceito de monocultura e já se provou que ela só faz mal pro solo a médio e longo prazo. É o que acontece aqui na Bahia. Existe essa imposição da axé music como única linguagem possível e aceitável. Mas a gente tem buscado romper essa barreira, a do impossível. Vamos fazendo não pra ser aceitos mas porque representamos, junto com outras bandas, uma resistência. E ultimamente eu tenho dito que o rock/punk também é música baiana, já que o rock brasileiro nasceu na Bahia com Raul Seixas.



CV: Como é a cena underground na Bahia? Quais os locais nos quais vocês mais tocam?
PM: A cena é cíclica, passa por momentos de alta, depois de baixa, depois se recicla e fortalece de novo. Estamos ficando mais fortes e organizados aos poucos, e isso está se refletindo em bandas mais consistentes e eventos diversificados e com mais público. Tocamos bastante em Camaçari e Salvador, mas também rola uma movimentação bem legal em Feira de Santana, Barreiras, Juazeiro, Agreste baiano, Vitória da Conquista, Região Sul da Bahia, meio complicado citar, mas em cada região existem bandas e produtores interessados.

CV: Vocês já lançaram vários registros durante a carreira. Qual disco que vocês mais gostam e qual pensam que poderiam melhorar algo? Por quê?
PM: Cada um representa um momento então eu não mudaria nada, porque tenho muito orgulho de nossa história. Gosto muito do mais recente Novas Ideias, Velhos Ideais (2014) e do Ciranda (2009) que foi eleito o quarto melhor álbum do rock baiano no ano em que foi lançado.

CV: Comentem sobre o rolê que fizeram recentemente pela Europa. Vocês tocaram no leste, local no qual situação anda meio tensa. Como foi a recepção dos europeus ao som do Pastel De Miolos?
PM: Nós nem sentimos essa tensão, pois viajamos por países que apesar de fazer fronteira com esses que estão em conflito, nós estávamos geograficamente do lado oposto aos lugares desses acontecimentos tristes. A recepção foi muito boa, o público agitou muito, vendemos camisetas, CDs e bonés, além de termos recebidos vários convites pra retornar no ano que vem. Acho que isso é um ótimo termômetro do que rolou por lá.

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CV: Quais os próximos passos da banda?
PM: Continuar tocando e começar a pensar no ano que vem quando completaremos 20 anos de atividade, o que vamos fazer pra comemorar.

CV: Qual a principal diferença que vocês veem na cena underground nacional quando vocês começaram para agora?
PM: A principal diferença é a forma de se comunicar, antes esperávamos até um mês por uma resposta que temos hoje de maneira quase imediata. Mas hoje como ontem temos pessoas comprometidas que acreditam na força do underground e continuam na batalha assim como nós.

CV: Agradecemos pela entrevista e deixamos espaço para considerações finais. Abraço.
PM: Obrigado pelo espaço! Não tem segredo, é organização, ensaio e persistência. Nos encontramos na estrada!
Mais informações;
http://pasteldemiolos.wordpress.com/
Para saber mais sobre a turnê dos caras pela Europa acesse:
http://pasteldemiolos.wordpress.com/europeantour2014/

domingo, 15 de fevereiro de 2015

The Anomalys e Drakula se apresentam em Campinas

Fotos: Divulgação
No sábado (21), Campinas recebe a banda holandesa The Anomalys, pela primeira vez na América do Sul. Os holandeses já se apresentaram no Chile, Argentina e Uruguai. Considerados um dos principais nomes do garage rock mundial, o trio formado em 2006, em Amsterdam, possui na bagagem diversas apresentações nos principais festivais europeus e estadunidenses como SXSW, Burning Man e Gonerfest. A abertura do show fica por conta da banda campineira Drakula e do dj estadunidense Pete Slovenly, que promete colocar todos para dançar com o melhor do punk, soul, garagem, rhythm & blues.

BANDAS
The Anomalys é uma banda de rock’n’roll primitivo de Amsterdam, Holanda, especialistas em festas totalmente destrutivas! O som psicótico e imprevisível desses três monstros altíssimos já fez enlouquecer multidões de Istambul a Las Vegas.
Após lançarem seu primeiro álbum em 2010 pelo selo norte americano Slovenly Recordings, eles fizeram diversas turnês pelo México e Estados Unidos - com apresentações em festivais como SXSW, Burning Man e Gonerfest -, além de muitas outras pela Europa.
Assista aos seus vídeos, ouça sua música e descubra porque eles têm sido chamados de “uma das bandas mais selvagens da Europa” - mas, claro, é sempre melhor conferir eles ao vivo!
Facebook: http://www.facebook.com/the.anomalys

Música:
http://slovenly.bandcamp.com/album/the-anomalys-self-titled-lp
http://slovenly.bandcamp.com/album/the-anomalys-retox-ep
http://slovenly.bandcamp.com/album/the-anomalys-deadline-blues-ep
Download em alta definição do Clipe "Retox" - http://goo.gl/WUO3hV
Vídeos:
http://youtu.be/pcYrXQaarfo
http://youtu.be/0dQivCtJRjU
http://youtu.be/TbtdBoq0B_A

O Drakula é formado por quatro figuras que usam máscaras de lucha libre mexicana, fundada em Campinas no ano de 2006 mistura rock, punk, surf, garage e terror. Possuem três discos de estúdio: O Inferno com Í maiúsculo (2007), Comando Fantasma (2009) e Vilipêndio a Cadáver (2011).
Já se apresentaram em quatro das cinco regiões do país, entre shows e festivais dividiram o palco com importantes nomes da música internacional e nacional, entre eles Agent Orange, The Dickies, The Vibrators, Phantom Rockers, Motosierra, Matanza, Mukeka di Rato, Zumbis do Espaço e Olho Seco.
Músicas - http://drakulaband.bandcamp.com
Vídeos - http://migre.me/fTOcB
Facebook - https://www.facebook.com/drakula.banda

Pete Slovenly (EUA)

Prepare-se para dançar a noite toda com esse cara por trás de seus toca-discos, ou por trás de suas próprias plataformas giratórias portáteis (já foram vistos discos pendurados de cabeça para baixo até no alto de uma árvore). Sempre a procura das melhores bandas do planeta para sua gravadora, Slovenly Recordings, Pete toca o melhor do punk, soul, garagem, rhythm & blues.

Serviço:

THE ANOMALYS (Amsterdam / Holanda)
Abertura: DRAKULA (Campinas)
Discotecagem PETE SLOVENLY (EUA)
Data: 21.02 (sábado)
Horário: A partir das 23h
Entrada: R$20 (somente no local)
Local: Echos Studio Bar
Endereço: R. Agostinho Pattaro, 54, Barão Geraldo, Campinas/SP
Evento no facebook: http://goo.gl/uUB0PK 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Gritando HC: duas décadas de hardcore

Canibal Vegetariano
Os paulistanos do Gritando HC completam 20 anos de carreira neste ano e devido a importância da data e da banda para o cenário independente nacional, a equipe do Canibal Vegetariano conversou com Lee, vocalista da banda, em uma noite de outono de 2014, antes de uma apresentação da banda em Campinas. Em seu relato, a vocalista falou sobre a trajetória da banda, a perda de Donald e os caminhos que pretendem trilhar.

Balanço dos 20 anos
Agora que deu um estalo, pois vivemos e passamos por muitas etapas. Tivemos duas fases distintas, cerca de dez anos com o Donald e praticamente dez com esta formação atual. O que passou neste tempo colho agora as respostas.

Manifestações
As manifestações despertaram as pessoas, principalmente os mais jovens. E a música punk, hardcore gera protesto. Este período foi fértil, pois a cena teve uma certa quebra com a chegada do emo. Houve novamente a junção do skate com a música, assim como ocorria no final dos anos 80, então em nossa música, esses dois elementos sempre estiveram juntos, mas esse conceito havia sido perdido e houve um resgate, mesmo com a queda musical, o skate continuou forte e se manteve e a junção que houve novamente se encaixou e há cerca de dois anos vejo esse reflexo.

Canibal Vegetariano

Perda do Donald
Falando por mim, quando entramos nessa fase foi foda, o chão se abriu. Além de estarmos juntos desde o início da banda, éramos noivos, começamos a namorar e veio a banda. Houve um peso pessoal muito grande. Em relação a banda, no momento do choque, não sabia o que fazer, pois Donald era muito ativo. Logo em seguida ao que houve, Ritchie, nosso baixista, chegou um dia e disse que Donald pediu para que caso algo ocorresse com ele, não era para banda parar. Ele morreu em 21 de setembro de 2001. Em seguida, houve dois shows em Santos, quase não fui, mas compareci e tive apoio de muitos amigos.
Seguimos até 2003 e a banda cresceu, foi uma época que tivemos produtor pela primeira vez e aprendemos sobre vários assuntos relacionados ao nosso som. Em São Paulo tive alguns problemas e não consegui processar a morte dele mas continuei com o trabalho. Mas a situação chegou a um ponto que o fato me cobrou e depois de alguns shows pelo Nordeste neste mesmo ano, resolvemos dar um tempo. E o curioso é que três anos depois, voltamos a fazer show e foi no Nordeste, onde havíamos parado e onde fechamos a atual formação.
No tempo dado pela banda, fui estudar no IGT e foi algo bem legal, dois meses depois das aulas consegui tocar com o pessoal do Dead Kennedys, que é uma puta influência. Depois do retorno da banda, lançamos o álbum 'Fase Adulta', em 2011, que é o registro com um hardcore mais pesado, pois foi uma época de revolta. Agora para este ano pretendemos gravar um novo disco, vamos preparar uma demo profissional. Também pretendemos gravar um documentário, para que sirva de incentivo à galera, pois toda banda precisa de referência e podemos dizer que hoje somos. É legal o saudosismo de ouvir bandas antigas, mas o passado já foi. Tem galera que para de ir no rolê, para no tempo e não conhece mais as pessoas, é isso que queremos estimular, que as pessoas saiam.

Canibal Vegetariano
FUTURO
Quero continuar a fazer meu som, fazer parcerias e batalhar pela cena que é bacana e independente, com muita coisa boa rolando. Vamos continuar com o som, produzir discos. Precisamos de uma aposta sincera mesmo com um mercado ruim. Digo isso pois tudo é muito caro em nosso país, transporte, custo para manter a banda. E além disso, em São Paulo, temos as turmas muito divididas, precisamos de um lance mais conjunto, como ocorre em outras regiões, o lance dividido não dá muita visibilidade.

MULHERES
Sempre houve algumas mulheres no rolê, mas tá melhorando, apesar de ainda ter uma participação mínima. Onde falta mulher é no lance de produção de shows, temos muitos homens nesta área, cerca de 90%. As mulheres trabalham em produção de banda, mas de shows, é muito raro. No estilo hardcore também são poucas, além de mim dá para contar nos dedos, é muito pouco. Elas estão em bandas mais calmas.

Canibal Vegetariano

MUDANÇAS
Em relação a shows considerados grandes e convites para festivais melhorou muito. Mas o mercado independente precisa de espaço para show, festivais, principalmente para apresentações menores, que o mercado ainda é ruim. Para termos força, precisamos de festivais com bandas conhecidas para levar público, mas pelo que tenho visto, acredito que teremos melhorias no futuro.

MENSAGEM
Aos leitores e também aos novos leitores do zine e de outros zines, afirmo que isto é um material funcional e essencial desde sempre, pois é a mídia que está lá. Espero que esse movimento continue e valorizem a informação e quem ainda não conhece, entre em contato, procure saber como funciona, faça parte disso e aposte nas ideias.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Ex-vocalista do Iron Maiden se apresenta no 'Grito Rock Bragança'


No sábado 31 de janeiro, o ex-vocalista do Iron Maiden, Blaze Bayley, se apresentará em Bragança Paulista, na sexta edição que o município recebe do Grito Rock. Na "terra da linguiça", o evento será realizado pelo Edith Cultura em parceria com o coletivo Fora do Eixo. O evento está marcado para 17h no Ciles dos Lavapés com entrada gratuita. Além do ex-Iron Maiden, haverá apresentações das bandas Holder of Souls, Clan of Madness e Nuclear.

Produzido de forma colaborativa desde 2007, o formato permite que a cada edição mais produtores compartilhem experiências e fortaleçam a cadeia produtiva da música local. Nos últimos dois anos (2013 e 2014) o Grito Rock envolveu produtores de mais de 40 países, tendo edições em toda a América Latina, Europa e África. Além disso, mais de 300 cidades brasileiras receberam o Festival.

Bayley é vocalista desde o início da década de 80, do século passado, com a sua banda Wolfsbane, mas é bem mais conhecido como frontman do Iron Maiden nos cinco anos de ausência de Bruce Dickinson. Nos anos 90, Bayley gravou dois álbuns com a banda: "The X Factor" e "Virtual XI". Contestado por muitos fãs, mas com bastante presença, Bayley deixou o Iron Maiden em 1999, quando Dickinson retornou, seguiu carreira solo com bandas próprias (BLAZE, Blaze Bayley Band e diversas parcerias). Após sua fase no Maiden, o cantor lançou seis álbuns de estúdio.

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Serviço:Grito Rock Bragança Paulista 2015
31 de janeiro - 17h - Ciles do Lavapés - Grátis
Blaze Bayley
Holder of Souls
Clan of Madness
Nuclear

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Quintal do Gordo a ‘mil graus’

Canibal Vegetariano
O Quintal do Gordo e o selo Equivokke Records realizaram o 3º Ato do “Equivokke Fest” em Campinas, no domingo 18 de janeiro. Para este festival, quatro bandas estavam programadas: Bad Taste (Campinas), Crânula (São Paulo), Hutt (São Paulo) e Periferia S/A (São Paulo). O “quintal” que fervilha a cada dia de evento, na data citada chegou a “mil graus”, além do clima seco e quente, as bandas fizeram com que o público agitasse e curtisse um excelente final de tarde e noite de domingo.
Mesmo com todo calor, 35º C mas com sensação de ao menos 40º C, saímos de Itatiba e chegamos ao Quintal no horário previsto para início das apresentações, 17h. Logo na chegada, reencontro de parceiros de estrada e amigos de bandas que estão sempre no trabalho de um novo álbum, EP e tudo mais. Final de tarde mesmo com calor sempre dá fome e como houve um pouco de atraso, conseguimos nos alimentar e hidratarmo-nos antes do rock!

Canibal Vegetariano
A primeira banda a tocar foi a Bad Taste. Com seu hardcore furioso, a banda foi responsável por elevar ainda mais a temperatura do quintal e rodas de pogo foram abertas. Entre músicas antigas e do novo álbum, os caras ganharam o público que ainda cantou várias canções. Artie Oliveira, vocalista da Don Rámon estava presente e deu uma canja com o pessoal da Bad Taste.
Com o público bem empolgado, os paulistanos do Crânula foram a segunda atração da noite. A banda é um power trio com algo demasiadamente curioso, mesmo sendo três na formação, eles não têm baixista. O som fica a cargo de guitarra e bateria e um vocalista que interage com o público e faz com que a maioria entre na roda. Com seu grindcore, a banda fez uma apresentação rápida, mas muito eficiente e “caiu” no gosto da galera.

Canibal Vegetariano
A terceira seria a Hutt. Problemas com o equipamento de baixo fez com que a apresentação tivesse início com mais de meia hora de atraso. O calor seguia e isso não foi motivo para esfriar o público que aproveitou para deixar o papo em dia. Com tudo resolvido, o massacre aos ouvidos mais sensíveis teve início mas como no local muitos estão acostumados, a alegria retornou e as rodas foram abertas com mais pessoas. O destaque da banda, que tem muita competência, fica para o baterista que exibiu técnica invejável, principalmente em relação a velocidade como executa as canções.

Canibal Vegetariano
Passava-se das 22h e o clima estava mais quente do que o normal para o verão brasileiro e a banda Periferia S/A assumiu o palco para sua apresentação. Jovens, crianças, adultos e pessoas de meia idade estavam presentes para conferir a formação original da banda Ratos de Porão. O show foi um “arrasa quarteirão”, no bom sentido da palavra, e o público ensandecido curtiu até o final e cantou junto durante todo show.
A apresentação deu uma passada geral na carreira do grupo com músicas do início do Ratos, canções dos discos da Periferia S/A, do primeiro e também do mais recente “Fé + Fé = fezes”. O encerramento foi realizado com o clássico “Periferia” que fez pessoas que acompanhavam a apresentação assumir os microfones e cantarem a plenos pulmões. Após uma aula de “punk rock”, só nos restava a estrada e o desejo de um banho.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

100 álbuns de 2014 que você precisa conhecer


Galero, ao olhar para trás fica muito claro que 2014 foi um bom ano para a produção independente nacional. Mesmo sem holofotes as bandas fazem um belíssimo trabalho tanto no que se refere à gravações, quanto na hora de botar o pé na estrada e mostrar o que sabem ao vivo.

Para celebrar e destacar quem produziu música de alma e qualidade, alguns blogs se juntaram na tarefa desafiadora de listar 100 trabalhos de 2014 que achamos que vocês deveriam conhecer. Não se trata de um ranking. Não houve um júri elencando os álbuns por nenhum critério técnico de seleção. 

Aqui no Canibal colocamos somente as capas, endereços eletrônicos e um simples resumo para que você busque informações sobre estas bandas e digam se podem ou não estarem nesta lista.

Além do Canibal, essa empreitada teve parceria dos sites/blogs, Nada Pop, Papo Alternativo, Subverter,  Licor de Chorume, O Despertar da Revolta, Musicombo e Rock Ex Machina. A lista completa poderá conhecer nos links no final desse post.

100 álbuns de 2014 que você precisa conhecer

90.
Pastel de Miolos
Álbum: Novas Ideias, Velhos Ideais
Para ser sincero, se o leitor busca algo novo, fique longe deste novo trabalho dos caras, mas se você gosta do bom e velho punk, que rejuvenesce a cada novo registro feito com dignidade e sinceridade, você não conseguirá ouvir o "play" somente uma vez, ele dificilmente sairá de seu toca CD. Mais sobre este álbum AQUI.

91.
Harry
Álbum: Eletric Fairy Tales
Facebook | Não disponível
Destaques para faixas como "Sky Will Be Grey", "Lycanthropia", "Death" e "Shes Mad". Mais sobre este álbum AQUI.

92.
Pop Punk Academy
Álbum: Pop Punk Academy Vol. 2
"Uma excelente iniciativa do blog Pop Punk Academy, de Lupa Charleaux, chegou recentemente aos nossos ouvidos. Estamos falando da segunda coletânea organizada pelo blog e que reúne 30 bandas punks nacionais" - Nada Pop.

93.
Ralo
Álbum: Horse Music
Banda de rock Instrumental formada em 2009 que flerta elementos do Grunge e do alternativo dos anos 90.

94.
Nardones
Álbum: Vol.1: O Horror Supremo Despertou
Contos de horror, clássicos B do cinema internacional, histórias macabras e hipotéticas embalam baladas aceleradas.

95.
Leave Me Out
Álbum: Endless Maze
Banda de Minas Gerais, com peso, fúria e uma certa melancolia estão nas letras e nas melodias da Leave Me Out.

96.
Labirinto
Álbum: Massao
Um resumo bem simples: instrumental, experimental e post rock.

97.
Reduto
Álbum: O Convite
Banda carioca, nascida em 2012. Mistura rock, stoner hardcore.

98.
Plebe Rude
Álbum: Nação Daltônica
Podemos considerar a Plebe Rude independente? Talvez não, ou sim. Mas o nome do álbum já diz muita coisa sobre esse lançamento. 

99.
Titãs
Álbum: Nheengatu
Com certeza não podem ser considerados independentes, mas o novo álbum é uma volta ao velho (no bom sentido) Titãs. Cabeça Dinossauro na veia.

100.
Malvina
Álbum: Nankeen
Banda de hardcore com elementos progressivos.

O restante dessa lista você poderá conferir nos seguintes endereços:

Nada Pop (01 ao 17)
Subverter (18 ao 34)
Rock Ex Machina (35 ao 45)
Licor de Chorume (46 ao 56)
Papo Alternativo (68 ao 78)
Músicombo (79 ao 89)

domingo, 11 de janeiro de 2015

O multi-homem Xico Sá

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Jornalista, cronista, comentarista, amante do futebol, das mulheres e de boa música. Assim pode ser definido nosso entrevistado Xico Sá, um homem que desdobra-se no rádio, TV e internet. Sempre bem humorado, Xico fala de assuntos polêmicos e triviais com genialidade e simplicidade ímpar. Ao Canibal Vegetariano ele falou sobre música, jornalismo, zines, literatura e programa de TV. Confira o papo.

Canibal Vegetariano: Você comenta futebol, comportamento e assuntos diversos. Mas qual é o seu assunto favorito?
Xico Sá: Fui repórter de polícia, política, esporte, cultura... A longa experiência de redação de jornal faz da gente um especialista em generalidades, comentar qualquer e todo assunto, desde que se informe, leia muito e tenha algum humor. Tudo que falo na televisão é resultado direto do que escrevo em minhas crônicas sobre relacionamentos ou futebol – meus dois assuntos preferidos.

CV: Durante a Copa, você participou do programa “Extraordinários” que trouxe outra maneira de fazer programa de esporte. Você acredita que esse projeto terá continuidade? Como foi a receptividade por parte do público?
XS: A aceitação foi muito grande, talvez por ser aquela bagunça toda – sem mediador, sem ordem, sem censura. Por isso o programa está voltando agora em setembro, no segundo turno do Brasileirão.

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CV: Nós somos um fanzine e um blog escritos por pessoas que amam o rock’n’roll mas que não têm formação de jornalistas, mas trabalhamos com mídia. Qual importância dos blogs atualmente e como você vê esse lance de mídia ‘especializada’ independente?
XS: É a coisa mais importante do momento em comunicação. Além de um ótimo contraponto à velha mídia tradicional, ajuda essa própria mídia a tentar se renovar um pouco, dá uma espécie de “se liga” na velharia estética da imprensa. Gosto dos fanzines desde a explosão do punk no Brasil, no ABC paulista, implorava para que meus amigos de São Paulo me enviassem as publicações.

CV: A tecnologia proporcionou uma certa independência na maneira de consumir e produzir informação. Para você, isso contribui ou piora na maneira como a população recebe essa informação?
XS: Contribui e foi uma revolução. Sem essa de ficar dependente de quatro ou cinco grandes grupos que dominavam a informação no país. Hoje a coisa fragmentou geral e um blogueiro pode ser tão importante, em determinados momentos, do que um grande crítico “oficial” ou um colunista de uma grande revista.

CV: Vamos falar de cultura, área que você conhece bem. Entre vários livros que escreveu, qual você considera melhor e consegue identificar o que menos lhe agrada?
XS: O melhor é o “Tripa de Cadela & outras fábulas bêbadas”, um livrinho de contos que foi publicado pela Eloísa Cartoneira em 2009. Essa editora alternativa de São Paulo é ligada à cooperativa de catadores de papelão da cidade, os livros são confeccionados pelos próprios catadores. Esse é meu livro mais rock´n´roll, digamos assim. O que menos me agrada é o “Divina comédia da fama”, um livro mais jornalístico, escrito sob encomenda para a editora Objetiva.

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CV: Como está o mercado editorial atualmente em nosso país?
XS: Para o autor está a mesma joça de sempre, afinal de contas a gente fica com apenas 10%. Em compensação, nunca foi tão fácil e barato, graças às novas tecnologias, a auto publicação, a publicação independente ou fazer o livro apenas em e-book.

CV: Quais seus escritores favoritos e que também servem de influência? 
XS: Henry Miller, John Fante e Bukowski seguramente estão entre os preferidos estrangeiros. Dos brasileiros fico com o velho Machadão de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Sérgio Sant´Anna...

CV: Atualmente, quais bons escritores você indica para nossos leitores?
XS: Reinaldo Moraes, Joca Reiners Terron, Lourenço Mutarelli, Andrea Del Fuego, Marcelino Freire, Clara Averbuck, Marcelo Mirisola... A lista é grande.

CV: Música, o que você ouve quando está no trabalho, momentos de lazer... Gosta de rock? Cite 5 bandas favoritas ou cantores, os que mais lhe agradem independente de estilo.
XS: Sem música não tomo nem banho direito. Retomei agora meus velhos vinis e tenho ouvido muito Neil Young, Leonard Cohen, Patty Smith, Captain Beefheart, Boris Vian, Serge Gainsbourg, Wander Wildner, o Robertão de 1971, românticos antigões como Nelson Gonçalves [som do meu pai], samba-de-breque do Moreira da Silva e os primeiros discos do Mundo livre S/A [banda da qual sou parceiro em algumas letras], entre outras tantas coisas. O método tem sido pegar os vinis, limpar e botar para tocar de novo.

CV: Uma pergunta que não quer calar. Além de toda competência que você tem como jornalista, algo que chama atenção são suas camisas. Onde você as compra? E desde quando você as usa?
XS: A maioria compro em feiras do interior do Nordeste e em brechós de São Paulo.